140 pés

novembro 17, 2011 at 3:48 pm (Uncategorized)

Acredito que muitas relações comecem de modo superficial. Não só porque a atração é em si algo preponderantemente físico, mas porque a falta de vínculos impede que estreitemos laços. Nos primeiros meses estamos sendo alimentados pela endorfina, estamos descobrindo um ao outro continuamente, criando afinidades, alinhando expectativas e, claro, projetando.

Existem relacionamentos nos quais entramos de cabeça e outros em que só queremos molhar a pontinha dos pés. E no segundo a gente se fecha, se policia regularmente e se torna avesso a tudo aquilo que possa significar envolvimento. Quando nos percebemos querendo submergir até os joelhos, simples: fugimos.

Aconteceu comigo. Aconteceu que eu comecei a me sentir em casa na tua casa. Chegava na sala e tirava os sapatos, sentava no teu sofá com as pernas cruzadas tipo índio, tinha minha escova de dentes ao lado da tua e dormia com a tua camiseta. Você é que foi aos poucos passando a significar casa. E todas essas pessoas com as quais eu – supostamente – teria mais coisas em comum, não eram capazes de despertar a minha atenção. Porque estar contigo não me exige esforço, é tudo tão simples, tão leve. Você me acordava inúmeras vezes durante a noite beijando minhas costas, enquanto sussurrava”linda”. E isso me bastava.

O que eu sinto excedeu quaisquer margens, ultrapassou convenções, pegou de surpresa todos os meus planos. Tive sim um pouco de medo de pular do trampolim, mas expus como pude a minha vontade de fazê-lo por você.

Mas criaram-se regras pelas entrelinhas, instituiram-se uma infinidade de vícios de comunicação que eram nada menos do que a falta de sinceridade na comunicação. Estávamos presos pela quantidade de ressalvas que nós mesmos criamos e eu queria contar, queria demonstrar, queria gritar pra que você me ouvisse  de outro país.  Queria ser o melhor que posso ser, porque de algum jeito conclui que era o que você merecia.

Repeti na minha cabeça o quanto te queria pra mim, inúmeras vezes. Por todo tempo, o tempo todo.

Quis saber o que você faria se te confessasse que sou tua.

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11 Comentários

  1. aheusintomuitodigo said,

    Tava com saudade dos seus textos.
    Talvez você nem vá ler esse comentário, mas custa nada tentar. Se pá, dá um confere no meu blog depois e faz uma critica. ><
    http://aheusintomuitoblues.wordpress.com/

    Bjo!

  2. Bruna said,

    muito bonito.
    você tem muito talento.

  3. Kll said,

    To passando EXATAMENTE por isso.

  4. jaynslai said,

    Wordless.

  5. Larissa R. said,

    sempre talentosa.

  6. ranytavares said,

    Belo demais, dona Nicolle.

  7. ranytavares said,

    Depois de passar por todas as rotinas com uma única pessoa, apegar-se, amar incondicionalmente, quando nos vemos perdendo isso é difícil lidar. As lembranças atormentam nos primeiros dias, meses, anos. E nunca mais seremos as mesmas. Nunca mais nos doaremos tanto num relacionamento e não seriamos tão bobas a ponto de se apegar aos pequenos detalhes que tornavam-se tão grandes.

  8. Thais Ambrósio said,

    Engraçado o que eu sinto ao ler seus textos. Eu consigo imaginar a sua vida diante das palavras que você ousa se expressar!

  9. Clarissa Govoni said,

    Nicolle….você tem uma facilidade muito grande de escrever e expor os seus sentimentos….continue assim e parabéns!

  10. Inquadrado said,

    perfeito demais, souber muito bem dizer nas primeiras linhas o que se passa comigo..

  11. Alan Lopes said,

    Parabens…
    escreveu bonito como sempre e melhor que antes.
    curti…
    bjão.

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