De novo

março 2, 2012 at 11:29 pm (Uncategorized)

Prometi a mim mesma que da próxima vez eu seria diferente, por não querer mais me ver tão errada, tão torta, tão rigorosa comigo mesma e com as histórias que protagonizo. Aprendi que preciso ser tolerante, que não posso me deixar ser tão orgulhosa. Aprendi que preciso procurar minhas falhas, mesmo quando só pareço enxergar as dos outros. Aprendi que não posso querer que o outro adivinhe o que sinto ou que saiba sempre a maneira como quero que aja. Aprendi, sei que aprendi.

Mas hoje me sinto inerte frente a tudo o que desejei enquanto trilhava sozinha esse caminho. Longo, excruciante, trágico até. Mas extremamente necessário.

Me vejo acuada. Ir em frente significa me desprender de todo o meu universo cognitivo pra me jogar em um mar de mudanças, imergir junto à melhor versão de mim mesma. Não quero descobrir que esse meu eu lapidado continua cometendo os mesmos erros estúpidos. Meu estômago alimenta úlceras infinitas enquanto penso que preciso deixar que você tome conta de mim, mesmo quando o melhor que puder fazer resulte em me machucar. Porque eventualmente é o que você fará. Vai esquecer que um pequeno gesto era tudo o que eu queria e vai partir meu coração fazendo pouco, fazendo nada, ou me dando o inverso do que eu precisava. Não vai se dar conta de que aquela sua ex-namorada está passando dos limites da sociopatia e vai desapontar todo platonismo que construí acerca de você. Vai me responder palavras duras e impulsivas no calor da discussão e me obrigar a conviver com a ressonância delas todas.

E não importa o quanto eu tenha mudado desde a última vez. Vai doer. Porque abrir-se de verdade a alguém é estar sujeito a tudo que essa presença lhe traz, bom ou nem tanto. É estar à mercê de uma cabeça com outras ideias, outros valores, anseios, sonhos, outras vontades… É por isso que nos sentimos tão apavorados, tão desamparados. E nos cabe então torcer, cruzar os dedos esperando que aquele que você ama te machuque em concentrações bem inferiores a toda felicidade que lhe proporciona. Nos cabe dar sempre o nosso melhor, abrir a nossa vida praquele que é realmente especial.

Ou praqueles… Sejam quantas tentativas forem. Não quero mais me fechar, ou fugir, nem me aterrorizar por tão pouco. Quero desarmar-me frente a tudo que tenha potencial pra me cativar. Quero viver, arriscar, experimentar. Quero nem pensar em perder meu tempo com alguém que não tenha percorrido essa mesma trilha, com quem não esteja pronto, com quem se doe dessa maneira sempre tão fragmentada. Isso tudo eu também aprendi.

Porque quando valer a pena, só alcançar não basta. Tem é que segurar forte entre os braços, tem que ser por inteiro.

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140 pés

novembro 17, 2011 at 3:48 pm (Uncategorized)

Acredito que muitas relações comecem de modo superficial. Não só porque a atração é em si algo preponderantemente físico, mas porque a falta de vínculos impede que estreitemos laços. Nos primeiros meses estamos sendo alimentados pela endorfina, estamos descobrindo um ao outro continuamente, criando afinidades, alinhando expectativas e, claro, projetando.

Existem relacionamentos nos quais entramos de cabeça e outros em que só queremos molhar a pontinha dos pés. E no segundo a gente se fecha, se policia regularmente e se torna avesso a tudo aquilo que possa significar envolvimento. Quando nos percebemos querendo submergir até os joelhos, simples: fugimos.

Aconteceu comigo. Aconteceu que eu comecei a me sentir em casa na tua casa. Chegava na sala e tirava os sapatos, sentava no teu sofá com as pernas cruzadas tipo índio, tinha minha escova de dentes ao lado da tua e dormia com a tua camiseta. Você é que foi aos poucos passando a significar casa. E todas essas pessoas com as quais eu – supostamente – teria mais coisas em comum, não eram capazes de despertar a minha atenção. Porque estar contigo não me exige esforço, é tudo tão simples, tão leve. Você me acordava inúmeras vezes durante a noite beijando minhas costas, enquanto sussurrava”linda”. E isso me bastava.

O que eu sinto excedeu quaisquer margens, ultrapassou convenções, pegou de surpresa todos os meus planos. Tive sim um pouco de medo de pular do trampolim, mas expus como pude a minha vontade de fazê-lo por você.

Mas criaram-se regras pelas entrelinhas, instituiram-se uma infinidade de vícios de comunicação que eram nada menos do que a falta de sinceridade na comunicação. Estávamos presos pela quantidade de ressalvas que nós mesmos criamos e eu queria contar, queria demonstrar, queria gritar pra que você me ouvisse  de outro país.  Queria ser o melhor que posso ser, porque de algum jeito conclui que era o que você merecia.

Repeti na minha cabeça o quanto te queria pra mim, inúmeras vezes. Por todo tempo, o tempo todo.

Quis saber o que você faria se te confessasse que sou tua.

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Retrocesso

agosto 8, 2011 at 2:30 pm (Uncategorized)

Veio manso, abraçou, preparou chá, limpou o que sangrava, fez curativo no que o tempo não havia conseguido fechar. Estendeu a mão, contou sua história, entregou toda a doçura que ainda existia no que também lhe doía. Ambos machucados, vendo esperança no que o outro perdera… Tentando nos convencer de que a partir daquele nada poderíamos ter algo novamente. 

Encarava fulminante o âmago dos meus olhos e me desconcertava todas as vezes. Brincava de fita-lo até que ele desviasse o olhar, mesmo sabendo que eu sempre desistia segundos depois. Ele mais destemido e eu sempre acanhada. Não suportava aquele olhar tão determinado, ele me desmontava em inúmeros pequenos pedacinhos que ficavam aos seus pés… Esperando serem consertados. Desviei o olhar. 

Tive vontade de abandonar longe de casa tantas memórias tristes depois que seus dedos tocaram meus cabelos embaraçados. Nada que me remetesse a outras histórias nem a outros amores, quis manter apenas a pessoa na qual eu havia me tornado a partir deles. Prefiro este eu, disse baixinho, o eu que aprendeu muito. Estive disposta a construir um mundo todo do zero, caso nada no meu mundo pudesse ser salvo. Estive disposta a me reconstruir de diversas formas, caso alguma pudesse dar certo pra nós. Quis dar muito de mim, você sorriu e eu quis te entregar quase tudo.

Você corria em minha direção e fugia de mim ao mesmo tempo. Naquela semana suspeitei que você quisesse nada. A certeza perfurou o meu peito e o fez ressoar madrugada adentro. Voltei alguns passos, tentei descobrir quem você era. Quem é? Pensei se me enganei ou se me enganou. Já não sei mais o que você disse ou o que eu quis escutar. Já não sei o que esqueço e o que quero lembrar.

Indecisos entre o algo e o nada, talvez tenhamos sido quase importantes um para o outro. Num momento quase tudo e no seguinte nada. Percebi então que o quase é nada. Tive nas mãos, segurei-o por alguns instantes. Mas nada. 

Aos poucos precisei parar de escutar teu nome subindo as escadas, tocando no meu celular, trombando comigo na Augusta. Perdoe-me se precisei fazer de conta que nunca fomos parte um do outro. E se eu continuar fazendo: respira fundo e vive. Uma hora a gente se encontra e vai ser tudo igual e tudo completamente diferente.

Seremos estranhos outra vez.

Contabilizei se você mais curou do que abriu feridas, tive medo de saber o resultado.

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Promoção vale-compras da Threadless

agosto 4, 2011 at 12:44 am (Promoção)

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Breve

julho 25, 2011 at 8:32 pm (Uncategorized)

Estive bebendo tudo o que continha álcool, todo copo entregue por mãos amigas, tudo o que pudesse ser tragado. Lembro pouco, mas recebi cuidados.

Despertos na manhã seguinte, ambos éramos acometidos por uma ressaca como poucas. O corpo pesava, os membros pendiam à limiar do colchão, havia uma dificuldade tremenda de me levantar. Não apenas pelos sintomas físicos descritos, mas porque você é tão bonito. Era bonito demais acordando. Eu no meu colchão enquanto você no seu, observa-lo não me invadindo o tornava ainda mais bonito. Beleza que vem de dentro, dessas que os olhos não costumam perceber com a qual as pessoas não costumam se importar.

Eu ria por alguma coisa quando você me beijou. Um beijo breve, quase inocente não fosse seguido pelo próximo. Vista a perfeição do momento que dividíamos, não sei se o teria beijado. É comum que eu sinta medo de concretizar vontades, mas naquela tarde eu fui só reflexos. Teria o agradecido por isso, fossem outras as circunstâncias.

Tive receio de toca-lo, ainda assim toquei. Sem cautela alguma. Bizarro como o estômago se contorce para nos alertar sobre o fato de estar tudo errado. Você o ignora e então suas mãos começam a suar, pedindo pra que você pare o quer que esteja fazendo. Ao passar por cima destes sinais tudo o que resta ao teu corpo é mandar inúmeros espasmos às pernas, num movimento que tange o ridículo. Nada que frases bem canalhas não suprimam, ditas baixinho ao passo que te olham dentro dos olhos.

Dei um mortal de costas, um salto duplo twist carpado. Fechei bem os olhos, exalei o restante de ar dos pulmões. Algum dos meus movimentos deve ter se antecipado e, ao invés do voo, a queda. Abrupta, seca, impiedosa. O problema é que só estatelada em solo é que se percebe o tombo. Aí então, meu amigo, eu diria que é um pouco tarde.

Tentarei abrir os olhos, tentarei guardar um pouco mais de ar. Alguma coisa eu aprendi, só me resta descobrir o que.

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O que não se pode evitar

julho 5, 2011 at 1:54 pm (Uncategorized)

Começamos assim: você brincando de gostar de mim e eu brincando de acreditar.

Acredito que quase imediatamente tenha te chocado com alguma das minhas frases, ou com o carinho que lhe atribuía. Logo você falou sobre não se envolver, então ríamos alto dos casais em volta e nos gabávamos da auto-suficiência amorosa que tanto tentamos provar pro outro. E eu sei que o teu motivo está preso no passado e tive vergonha de te contar tudo o que sei que sei sobre você. Você sofreu. Você sofreu e culpou todas as mulheres pelo erro de uma. Sei e me compadeço da tua experiência.

Então nos oferecemos companhia. Uma madrugada tive fome e você apareceu na minha porta “sanduíche de queijo branco?”. Nem muitos assuntos tínhamos, nos faltavam coisas em comum. Criamos um jeito novo de nos relacionar, monossilabicamente excitante. Passávamos bastante tempo juntos, falávamos sobre uma infinidade de assuntos e eu tinha a impressão de não estarmos dizendo nada um ao outro. O que fazíamos em todo aquele tempo juntos já que não estávamos nos conhecendo?

Mas você não me cobrava. E em troca eu não te cobrava. Eu não te dizia palavras bonitas da boca pra fora e você não fazia por mim aqueles gestos grandiosos que tanto quis de outrem… Só o espontâneo. Gostei de você por isso, pela franqueza das tuas limitações. Talvez você tenha gostado de mim pelo excesso de compreensão. E todas as noites antes de dormir podia encostar minha cabeça no teu peito.

Na primeira noite eu não dormi. Já te disse? Fiquei quietinha, olhando você sonhar e me perguntando se estaria prestes a me envolver só porque havíamos combinado o contrário. E, pelo simples fato de essa pergunta ter existido mesmo que por um segundo dentro da minha cabeça, significa que eu nunca realmente cumpri o pré-requisito. Preciso pedir desculpas por isso? Você é tão bonito dormindo…  Gravei cada sopro de respiração na minha retira e quando sinto tua falta recorro às imagens arquivadas na memória. “Tão bonito”.

Durante uma de nossas conversas, deitados, enquanto encarávamos o teto sob nossos corpos cansados, você resmungou “o que foi, meu ammm…?!”. Tua cicatriz calou  o substantivo antes de seu fim, mas levou consigo qualquer sentido antes implícito. 

Acho que quebrei a única regra que já tivemos. 

Mas você não me cobra e eu nao te cobro.
Acho que na verdade começamos assim: você gostando de mim em tom de brincadeira e eu achando que sabia brincar. 

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Nas Tuas Mãos

junho 6, 2011 at 7:48 pm (Uncategorized)

Provavelmente só se separam os que levam a infecção do outro até os limites da autenticidade, os que têm coragem de se olhar nos olhos e descobrir que o amor de ontem merece mais do que o conforto dos hábitos e o conformismo da complementaridade.

A separação pode ser o ato de absoluta e radical união, a ligação para a eternidade de dois seres que um dia se amaram demasiado para poderem amar-se de outra maneira, pequena e mansa, quase vegetal.

(Inês Pedrosa)

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Súbito êxtase

maio 4, 2011 at 4:15 pm (Uncategorized)

Naquelas semanas de abril, eu me prendia a um enredo de incertezas. Intenso, porém descontínuo. Dentre tamanha instabilidade, sobrava-me pouca coragem para poder ser eu mesma.
Pessoas caminharam comigo e não puderam enxergar tudo que sou além do sorriso envergonhado e das palavras gentis. Poucos souberam que calei-me ao vê-los fingindo, pra que não se sentissem mal consigo mesmos.
Pois que eu me sinta mal por enxergar demais e que carregue comigo o que não consigo perceber e, simplesmente, ignorar. No montante, mais essa carga passa até despercebida.

Nos conhecemos enquanto praguejávamos sobre aqueles que já haviam cruzado nossos caminhos. Nos demos as mãos a fim de deixá-los pra trás. Expus meus receios, minhas falhas, despi-me de qualquer visão erroneamente romantizada que pudesses ter a meu respeito. Nenhuma vaidade, nenhuma personagem, somente eu, desde o primeiro instante.

Fragilizada pela incidência de luz direta, observada então sob meu mais sincero espectro, sem que eu tivesse controle a respeito da primeira impressão que lhe causara… Assim… Ainda sim, você quis me levar contigo.

Cuidadosamente o vi recolher tudo o que pudesse fazer parte de mim, até o orgulho desmedido ganhou um cantinho para se acomodar. Acredito que poucas pessoas tenham merecido tamanha transparência, pouquíssimas estariam prontas para lidar com ela. A verdade é que muitas delas usariam eu contra mim mesma, mas não você.

Carregava comigo mãos frias, avulsas, mas deixei-as entrelaçar pelas tuas mesmo assim.

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O que a gente quer?

março 22, 2011 at 1:39 pm (Uncategorized)

Complicado.
Eu faria uma lista de desejos bastante sucinta, mas não sei se qualquer pessoa conseguiria captar a complexidade item por item. Eu não teria muitas coisas pra pedir, nunca precisei de quantidade pra ser feliz.
Aliás, quantidade seria até mais fácil.

Tenho um sincero apego a tudo que me arrebata e esse tudo, no caso, é tão pouco.
Talvez eu pedisse pra minha vida ser sempre uma via de duas mãos; talvez eu quisesse dormir e acordar balbuceando reciprocidade, só pra variar um pouco. Talvez eu quisesse que fôssemos bons um para o outro e não somente o outro pro um. Acho que gostaria de perder mais tempo contigo, seria bom perder a noção dele também. Queria que você quisesse saber quem eu sou além da casca, por dentro, lá no fundo. E então eu te contaria que quis ser veterinária, que o meu pai é a pessoa que mais amo no mundo e que várias vezes quis ouvir tua voz mas não liguei. E te diria que o meu peito ainda dói, mas que ele sabe amar. Queria que você não tivesse medo de me dizer quem é além do supérfluo e que parasse de fazer as coisas só porque quer me agradar. Queria te ver perdendo o controle um pouco, queria que você se perdesse um pouco mais em mim.

Queria te ver não racionalizando.

Queria vincular teu nome a um pronome possessivo.
Queria que você quisesse, porque eu finalmente deixei alguém entrar.

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Escusa

março 15, 2011 at 2:56 pm (Uncategorized)

Quantas vezes desviei o olhar, simulei estar procurando alguém por entre você. Mexi no cabelo, mordi os lábios, tudo porque talvez não pudesse te responder o que eu realmente pensava.

E no teu silêncio sonoro, quantas outras vezes te procurei por escrita digitando e apagando, perdendo tempo ao trocar o ‘você’ por ‘ti’ e o ‘ti’ por ‘você’. Quer dúvida mais idiota?

Me desculpe, mas sinto dizer que estive colocando-o a teste. Quando você pediu ‘fica’ eu quis ir e fiquei só para confirmar que estava certa. E eu estava, deveria mesmo ter ido.

Já deveria ter aprendido a confiar mais na minha desconfiança, mas aí você fica martelando na minha cabeça… E a simples lembrança de vê-lo sorrindo e me tomando nos braços, compromete toda a armadura.
Queria estar coberta de razão quanto a todo o restante e, dessa vez, por uma única vez, estar absolutamente enganada quanto a ‘ti’.

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